C-PLATIN - Bula

C-PLATIN



C-PLATIN

C-PLATIN

Cisplatina

APRESENTAÇÃO

Solução injetável.

Cartucho de cartolina contendo frasco-ampola com 10 miligramas de cisplatina em 20 mililitros de solução injetável a 0,5 mg/ml.

Cartucho de cartolina contendo frasco-ampola com 50 miligramas de cisplatina em 100 mililitros de solução injetável a 0,5 mg/ml.

Cartucho de cartolina contendo frasco-ampola com 100 miligramas de cisplatina em 100 mililitros de solução injetável a 1 mg/ml.

USO ADULTO E OU PEDIÁTRICO

Cada frasco-ampola de 10 miligramas contém:

Cisplatina: 10 miligramas Veículo: q.s.p: 20 mililitros Cada frasco-ampola de 50 miligramas contém:

Cisplatina: 50 miligramas Veículo: q.s.p: 100 mililitros Cada frasco-ampola de 100 miligramas contém:

Cisplatina: 100 miligramas Veículo: q.s.p: 100 mililitros

INFORMAÇÕES AO PACIENTE

Devido ao fato deste produto ser de uso restrito a hospital ou ambulatório especializado, com emprego específico em neoplasias malignas e ser manipulado apenas por pessoal treinado, o item INFORMAÇÕES AO PACIENTE não consta da bula, uma vez que estas serão fornecidas pelo médico assistente conforme necessário.

Conservar o produto em temperatura de 15 a 25 o C e protegido da luz.

Prazo de validade: 36 meses. ATENÇÃO: Não utilize os produtos após vencido o prazo de validade, sob o risco de não produzir os efeitos desejados.

INFORMAÇÃO TÉCNICA

A cisplatina é um complexo metálico que contém um átomo central de platina cercado por dois átomos de cloro e duas moléculas de amônia na posição cis. A cisplatina penetra nas células por difusão. Os átomos de cloro são deslocados diretamente por reação com os nucleosídeos como os tióis; a hidrólise do cloro é provavelmente responsável pela formação de espécies ativadas da droga. Os complexos de platina podem reagir com o DNA, formando ligações cruzadas inter e intrafilamentosas. É provável que a forma geométrica cis é mais propensa à formação de união cruzada intra e interfilamentosas do que a forma trans. A formação das ligações cruzadas interfilamentosas é um processo bastante lento e ocorre em pequena extensão. A união covalente com proteínas do DNA também tem sido demonstrada. Até o momento não existe uma associação conclusiva entre o tipo simples de lesão bioquímica e a citotoxicidade. A especificidade da cisplatina com relação à fase do ciclo celular parece ser diferente entre os tipos celulares, embora os efeitos de ligação cruzadas sejam mais pronunciados durante a fase S.

A concentração plasmática de cisplatina declina monoexponencialmente com a meia-vida de aproximadamente 20 a 30 minutos após administração em bolus de doses de 50 ou 100 mg/m 2. O decaimento monoexponencial e meia-vida de aproximadamente 0,5 hora também foram observados após duas ou sete horas de infusões de 100 mg/m 2. A depuração corpórea total e os volumes de distribuição, no estado de equilíbrio da cisplatina, são, aproximadamente, de 15 a 16 l/h/m 2 e 11 a 12 l/m 2. Em virtude da estrutura química ser única, os átomos de cloro da cisplatina são mais sujeitos a reações químicas de deslocamento por nucleófilos, como água ou grupos sulfidrila do que o metabolismo catalisado por enzimas. Em pH fisiológico na presença de NaCl 0,1M, as espécies moleculares predominantes são a cisplatina e o mono-hidroximonocloro cis-diamino platina (II) em concentrações semelhantes. Além disso, o possível deslocamento direto dos átomos de cloro pelos grupos sulfidril dos aminoácidos ou proteínas, são responsáveis pela instabilidade da cisplatina em matrizes biológicas. A relação entre cisplatina e platina livre total (ultrafiltrável) no plasma varia consideravelmente entre pacientes com média entre 0,5 a 1,1 após dose de 100 mg/m 2. A cisplatina não apresenta ligação instantânea e reversível com as proteínas plasmáticas, que é característica das drogas carreadas por proteínas. Mas, a platina da cisplatina, e não a própria cisplatina, permanece ligada a várias proteínas plasmáticas, como albumina, transferrina e gamaglobulina. Três horas após a administração em bolus e duas horas após o término de infusão de três horas, 90% da platina plasmática está ligada à proteína. Os complexos entre albumina e a platina da cisplatina não se dissociam de forma significante, sendo lentamente eliminados com meia-vida mínima de 5 dias ou mais. Após doses de cisplatina de 20 a 120 mg/m 2, observam-se altas concentrações de platina no fígado, próstata e rim, pouco menores na bexiga, músculos, testículos, pâncreas e baço, e bem menores no intestino, adrenal, coração, pulmão, cérebro e cerebelo. A platina permanece nos tecidos por até 180 dias após a última dose. Com exceção dos tumores intracerebrais, a concentração de platina nos tumores é, geralmente, pouco menor do que a observada no órgão onde o tumor está localizado. Metástases em diferentes locais, no mesmo paciente, podem ter diferentes concentrações de platina. A metástase hepática apresenta grande concentração de platina, mas é semelhante à observada no fígado normal. A concentração máxima de platina nas células vermelhas do sangue, após dose de 100 mg/m 2 de cisplatina, ocorre em 90 a 150 minutos e declina de maneira bifásica com meia-vida de 36 a 47 dias. Em doses de 40 a 140 mg/m 2, em bolus ou em infusão contínua de 1 a 24 horas, cerca de 10% a 40% da platina administrada é excretada na urina em 24 horas. Em doses de 40 a 100 mg/m 2, em infusão contínua de 2 a 3 horas ou de 6 a 8 horas, observa-se excreção urinária média de platina de 35% a 51% após 5 dias. De forma semelhante, concentrações urinárias de 14% a 30% são observadas cinco dias após a administração de 20, 30 ou 40 mg/m 2 ao dia. A maior parte da platina administrada é excretada nas primeiras horas após a infusão, com pequena percentagem sendo excretada após 24 horas. O composto inicial, a cisplatina, é excretada na urina e representa de 13% a 17% da dose excretada na primeira hora após a administração de 50 mg/m 2. A depuração renal média da cisplatina excede à da creatinina e é de 62 a 50 ml/min/m 2 após a administração de 100 mg/m 2 em infusões contínuas de 2 ou de 6 a 7 horas, respectivamente. A depuração renal de platina livre (ultrafiltrável) também é superior à taxa de filtração glomerular indicando que a cisplatina, ou outras moléculas contendo platina, são ativamente secretadas pelos rins. A depuração renal de platina livre é variável e não linear, dependendo da dose, do débito urinário e de variabilidades individuais quanto à secreção ativa e possível reabsorção tubular. Há um potencial de acúmulo de concentrações de platina ultrafiltrável no plasma sempre que a cisplatina é administrada diariamente, mas não quando dada de forma intermitente. Não existe relação significativa entre a depuração renal de creatinina e a de platina livre ou cisplatina. Embora haja pequena quantidade de platina na bile e no intestino grosso após a administração de cisplatina, a excreção fecal de platina parece ser insignificante.

INDICAÇÕES

Tumores metastáticos de testículo. Cisplatina está indicada na poliquimioterapia estabelecida com outros agentes aprovados, em pacientes portadores de tumores metastáticos de testículo que já se submeteram ao tratamento cirúrgico e/ou radioterápico apropriados.

Tumores metastáticos de ovário. Cisplatina está indicada em combinações terapêuticas estabelecidas com outros agentes quimioterapêuticos aprovados, em pacientes portadoras de tumores metastáticos de ovário, já submetidas a procedimentos cirúrgico e/ou radioterapêutico apropriados. Cisplatina como agente isolado é indicado como terapia secundária em pacientes portadores de tumores ovarianos metastáticos refratários à quimioterapia padrão, que não tenham sido previamente tratados com cisplatina.

Câncer avançado de bexiga. Cisplatina está indicada como agente único em pacientes portadores de câncer de células de transição de bexiga não mais sensível a tratamento locais, tais como cirurgia e/ou radioterapia.

Carcinomas espino-celulares de cabeça e pescoço. Cisplatina está indicada em combinação quimioterapêutica com outros agentes aprovados, em pacientes portadores de carcinomas espino-celulares de cabeça e pescoço, como um adjunto aos procedimentos cirúrgico e/ou radioterapêutico apropriados.

CONTRAINDICAÇÕES

Cisplatina está contraindicada em pacientes com insuficiência renal pré-existente e deficiência auditiva, a menos que no julgamento do médico e do paciente os possíveis benefícios do tratamento excedam os riscos. Cisplatina não deve ser usada em pacientes com mielodepressão e está também contraindicado em pacientes com história de reações alérgicas a este produto ou a outros compostos contendo platina.

PRECAUÇÕES

O hemograma deve ser realizado semanalmente. A função hepática deve ser monitorizada periodicamente e o exame neurológico também deve ser feito regularmente.

Uso na lactação

Existem relatos que a cisplatina é excretada no leite; pacientes recebendo cisplatina não devem amamentar.

Advertências:

A cisplatina deve ser administrada sob supervisão de um médico qualificado e experiente no uso de agentes quimioterapêuticos antineoplásicos. A conduta apropriada da terapia e de suas complicações, só é possível quando se têm prontamente disponíveis diagnóstico adequado e facilidades de tratamento.

A cisplatina produz nefrotoxicidade cumulativa, que pode ser potencializada pelo uso de antibióticos aminoglicosídeos. Níveis séricos de creatinina, uréia, "clearance" de creatinina, níveis de magnésio, sódio, potássio e de cálcio, devem ser dosados antes do início do tratamento e antes de cada ciclo subsequente. Nas doses recomendadas, cisplatina não deve ser administrado com frequência maior do que uma vez a cada 3 a 4 semanas.

Existem registros de neuropatias graves em pacientes que adotaram terapia com doses e frequência maiores do que aquelas recomendadas de cisplatina. Estas neuropatias podem ser irreversíveis e são observadas como parestesias localizadas nas extremidades dos membros inferiores e superiores, arreflexia e perda da propriocepção e sensação vibratória. Registrou-se também perda de função motora.

É significativa a ocorrência de ototoxicidade, que pode ser mais pronunciada em crianças manifestada por zumbido e/ou perda da audição de altas frequências e ocasionalmente surdez. Desde que a ototoxicidade é cumulativa, uma audiometria deve ser realizada antes do início do tratamento e da aplicação de cada dose subsequente da droga.

Reações tipo anafiláticas têm sido relatadas e incluem edema facial, broncoconstrição, taquicardia e hipotensão. Estas reações têm ocorrido dentro de minutos após o início da administração a pacientes com exposição prévia a cisplatina e têm sido aliviadas pela administração de epinefrina, corticosteróides e anti-histamínicos.

A cisplatina pode causar dano fetal quando administrada na gravidez. Cisplatina é mutagênica em bactérias e produz aberrações cromossômicas nas células animais em cultura de tecidos. Em camundongos, cisplatina mostrou ser teratogênico e embriotóxico. Pacientes devem ser aconselhadas a evitarem a gravidez. Se esta droga for usada durante a gravidez ou se a paciente engravidar durante o tratamento, a mesma deve ser informada do risco potencial para o feto.

Observou-se o potencial carcinogênico da cisplatina em animais de laboratório. O desenvolvimento de leucemia aguda ligado ao uso de cisplatina raramente foi relatado no homem. Nestes relatos, cisplatina foi, em geral, administrada em associação a outros agentes leucemogênicos.

INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS

Os níveis plasmáticos de anti-convulsivantes podem tornar-se subterapêuticos durante a terapia com cisplatina. Em um ensaio randomizado no câncer avançado de ovário, a duração da resposta foi negativamente afetada quando do uso de piridoxina com altretamina (hexametilmelamina) e cisplatina.

Reações adversas:

Nefrotoxicidade. A insuficiência renal cumulativa e relacionada à dose administrada é a principal toxicidade limitante da dose de cisplatina. Manifesta-se por elevações nos níveis séricos de uréia, creatinina e ácido úrico e/ou uma diminuição no "clearance" de creatinina. A toxicidade renal torna-se mais prolongada e grave com cursos repetidos da droga. A função renal deve voltar ao normal antes de se administrar outra dose de cisplatina.

A insuficiência renal tem sido associada ao dano tubular renal. A administração de cisplatina, usando uma infusão de 6 a 8 horas com hidratação intravenosa e manitol, tem sido empregada para reduzir a nefrotoxicidade. Contudo, a toxicidade renal ainda pode ocorrer após a utilização desses procedimentos.

Ototoxicidade. A ototoxicidade manifesta-se por zumbido e/ou perda auditiva na faixa de alta frequência (4.000 a 8.000 Hz). Às vezes pode ocorrer uma diminuição na capacidade auditiva para tons de uma conversação normal. Os efeitos ototóxicos podem ser mais graves em crianças recebendo cisplatina. A perda auditiva pode ser unilateral ou bilateral e tende a se tornar mais frequente e grave com a repetição das doses, entretanto a surdez tem sido raramente reportada após a dose inicial de cisplatina. A ototoxicidade pode ser acentuada com irradiação craniana prévia ou simultânea e pode estar relacionada ao pico de concentração plasmática de cisplatina. Não se sabe ao certo se a ototoxicidade induzida pela cisplatina é reversível. Cabe proceder a um cuidadoso controle audiométrico antes do início da terapia e antes das doses subsequentes de cisplatina.

Tem-se relatado também a ocorrência de toxicidade vestibular.

Hematológicas. A mielodepressão ocorre em 25 a 30% dos pacientes tratados com cisplatina. Os nadires das plaquetas circulantes e dos leucócitos ocorrem entre os 18º e 23º dias, com a maioria dos pacientes recuperando-se pelo 39º dia. A leucopenia e a trombocitopenia são mais profundas com doses mais elevadas (> 50 mg/m 2). A anemia (redução de 2 g de hemoglobina/100 ml) ocorre aproximadamente à mesma frequência e ao mesmo tempo que a leucopenia e a trombocitopenia. A cisplatina tem demonstrado sensibilizar as hemácias, resultando, às vezes, em anemia hemolítica direta com Coombs-positivo. A incidência, gravidade e importância relativa desse efeito em relação a outra toxicidade hematológica não foi estabelecida, mas a possibilidade de um processo hemolítico deverá ser levada em consideração em qualquer paciente que esteja recebendo cisplatina e que apresenta uma queda inexplicável na hemoglobina. O processo hemolítico é reversível cessada a terapia.

O desenvolvimento de leucemia aguda ligado ao uso de cisplatina raramente foi reportado no homem. Nestes relatos, cisplatina, em geral, administrada em associação a outros agentes leucemogênicos.

Gastrintestinais. Quase todos os pacientes tratados com cisplatina apresentam náuseas e vômitos acentuados, que são, ocasionalmente tão graves que a droga deve ser suspensa. As náuseas e os vômitos começam, em geral, uma a quatro horas após o tratamento e duram até 24 horas. Diferentes intensidades de vômitos, náuseas e/ou anorexia podem persistir por uma semana após o tratamento.

Náuseas e vômitos prolongados (iniciando ou persistindo 24 horas ou mais após a quimioterapia) ocorreram em pacientes que apresentaram controle emético completo no dia da terapia com cisplatina.

Diarréia também foi reportado.

Distúrbios eletrolíticos séricos. Hipomagnesemia, hipocalcemia, hiponatremia, hipocalemia e hipofosfatemia têm sido observadas em pacientes tratados com cisplatina e estão provavelmente relacionadas a danos nos túbulos renais. Tetania tem ocorrido ocasionalmente em pacientes com hipocalcemia e hipomagnesemia. Geralmente, os níveis de eletrólitos séricos normais são recuperados através da administração suplementar de eletrólitos e a suspensão da cisplatina.

A síndrome inadequada do hormônio antidiurético tem também ocorrido.

Hiperuricemia. Tem sido relatado que a hiperuricemia ocorre com aproximadamente a mesma frequência que o aumento das taxas de uréia e creatinina séricas. É mais pronunciada após doses maiores que 50 mg/m 2 e os níveis máximos de ácido úrico ocorrem, em geral, entre 3 a 5 dias após a dose. O tratamento com alopurinol para hiperuricemia reduz eficazmente os níveis de ácido úrico.

Neurotoxicidade. A neurotoxicidade normalmente caracterizada por neuropatias periféricas tem ocorrido em alguns pacientes. As neuropatias podem ocorrer após tratamento prolongado (4 a 7 meses); entretanto, sintomas neurológicos têm ocorrido após uma dose única. Embora os sinais e sintomas geralmente se desenvolvam durante o tratamento, raramente eles podem começar após a última dose de cisplatina. A neuropatia pode progredir após a interrupção do tratamento. Tem-se relatado a ocorrência de sinal de L'Hermitte, mielopatia da coluna dorsal e de neuropatia autonômica.

A terapia com cisplatina deve ser suspensa à primeira constatação de sintomas. Evidência preliminar sugere que a neuropatia periférica pode ser irreversível em alguns pacientes.

Cãimbras musculares de início súbito e curta duração têm sido reportados. Foram, em geral, observados em pacientes que receberam uma dose cumulativa relativamente alta, e que tinham um estágio relativamente avançado de neuropatia periférica.

Registraram-se também, perda do paladar e convulsões.

Toxicidade ocular. Neurite óptica, edema papilar e cegueira cerebral foram registrados com pouca frequência em pacientes recebendo doses padrões recomendadas de cisplatina. A melhora e/ou recuperação total ocorre normalmente após suspensão da cisplatina. Esteróides com ou sem manitol têm sido utilizados, no entanto, sua eficácia não foi estabelecida.

Visão turva e percepção alterada de cores foram registradas após terapias com doses de cisplatina mais altas do que aquelas recomendadas.

Reações do tipo anafiláticas. Reações tipo anafiláticas foram registradas ocasionalmente em pacientes expostos previamente a cisplatina. As reações consistem em edema facial, zumbido, taquicardia e hipotensão, após poucos minutos de administração da droga. As reações podem ser controladas por epinefrina intravenosa, corticosteróides e anti-histamínicos. Os pacientes recebendo cisplatina devem ser cuidadosamente observados para possíveis reações tipo anafiláticas.

Hepática. Elevações transitórias das enzimas hepáticas e bilirrubina podem ocorrer quando cisplatina for administrada nas doses recomendadas.

Outras toxicidades. Toxicidades vasculares coincidentes com o uso de cisplatina em combinação com outros agentes antineoplásicos raramente têm sido relatadas. Os eventos são clinicamente heterogêneos e podem incluir infarte do miocárdio, acidente cérebro-vascular, microangiopatia trombótica, Síndrome hemolítico urêmica ou arterite cerebral. Vários mecanismos têm sido propostos para estas complicações vasculares. Há também relatos do fenômeno de Raynaud ocorrendo em pacientes tratados com a combinação de bleomicina, vimblastina, com ou sem cisplatina. Tem-se sugerido que a hipomagnesemia que se desenvolve ao mesmo tempo com o uso de cisplatina possa ser um fator a mais, embora não essencial, associado a este evento. Mas, não se sabe atualmente se a causa do fenômeno de Raynaud nestes casos é a doença, comprometimento vascular básico, bleomicina, vimblastina, hipomagnesemia ou uma combinação de quaisquer destes fatores.

Outras toxicidades registradas como de ocorrência pouco frequentes são anormalidades cardíacas, soluços, amilase sérica elevada e erupção cutânea. Alopécia tem também sido relatada.

Raramente foi observado toxicidade local do tecido mole após extravasamento de cisplatina. Infiltração de soluções de cisplatina podem resultar em celulite tissular, fibrose e necrose.

POSOLOGIA

Cisplatina solução injetável deve ser usada apenas por via intravenosa e deve ser administrada por infusão IV como recomendado abaixo.

Agulhas ou equipos que contenham partes de alumínio e que possam entrar em contato com a solução de cisplatina, não devem ser usados para sua preparação ou administração. O alumínio reage com a cisplatina, levando à formação de um precipitado e à perda de potência.

Tumores metastáticos de testículo. A dose usual de cisplatina para tratamento de câncer de testículo em combinação com outros agentes quimioterápicos aprovados é de 20 mg/m 2 IV, diariamente por 5 dias cada 3 semanas por um mínimo de 4 ciclos.

Tumores metastáticos de ovário. A dose usual de cisplatina para o tratamento de tumores metastáticos de ovário em combinação com outros agentes quimioterápicos aprovados é 75-100 mg/m 2 IV, uma vez cada 3 a 4 semanas por um mínimo de 4 ciclos.

Como agente único, cisplatina deve ser administrada na dose de 100 mg/m 2 por via IV, uma vez a cada 4 semanas.

Câncer avançado de bexiga. Cisplatina deve ser administrada como agente único na dose de 50 a 70 mg/m 2 IV, uma vez a cada 3 a 4 semanas dependendo da extensão dos tratamentos radioterápicos e/ou quimioterápicos anteriores. Em pacientes com tratamentos prévios muito agressivos, recomenda-se uma dose inicial de 50 mg/m 2, repetida a cada 4 semanas.

Carcinoma espino-celulares de cabeça e pescoço. A dose usual de cisplatina para o tratamento de carcinoma espino-celulares de cabeça e pescoço em associação com outros agentes quimioterápicos aprovados é 60-100 mg/m 2 IV, uma vez ao dia a cada 3 semanas.

Administração

Os seguintes princípios importantes devem ser levados em consideração por ocasião da administração de cisplatina:

·· A cisplatina deve ser administrada em solução intravenosa contendo pelo menos 0,3% de NaCl. Esta quantidade de íons cloreto é essencial para a manutenção da estabilidade da cisplatina na solução intravenosa. A droga deve ser diluída em solução fisiológica a 0,9% ou em ½ ou 1/3 de solução fisiológica com solução glicosada a 5%.

·· Uma diurese de 100 ml/hora ou mais, tenderá a minimizar a nefrotoxicidade da cisplatina. Isto pode ser obtido através de hidratação prévia com 2 litros de uma solução intravenosa apropriada e de hidratação similar após a administração da cisplatina (recomenda-se 2.500 ml/m 2/24 horas). Se uma hidratação vigorosa for insuficiente para manter uma diurese adequada, um diurético osmótico pode ser administrado (por exemplo, manitol).

·· A cisplatina pode ser administrada por infusão de 1 mg/minuto com pré e pós hidratação como recomendado acima. Alternativamente, a cisplatina pode ser administrada em um período de 6 a 8 horas com fluido suficiente para manter uma diurese adequada durante e após a administração.

·· A administração da cisplatina tem sido associada a desequilíbrios eletrolíticos, incluindo hipomagnesemia sintomática. Portanto, recomenda-se a monitorização dos eletrólitos séricos antes, durante e após cada ciclo de cisplatina.

Não administrar novo ciclo de cisplatina até que a creatinina sérica seja inferior a 1,5 mg/100 mililitros e/ou a uréia esteja abaixo de 25 mg/100 mililitros e os elementos circulantes do sangue estejam em níveis aceitáveis (plaquetas maior ou igual a 100.000/mm 3 e leucócitos maior ou igual a 4.000/mm 3). Doses subsequentes de cisplatina não devem ser administradas até que uma análise audiométrica indique que a acuidade auditiva esteja dentro dos limites normais.

Assim como outros compostos potencialmente tóxicos, deve-se tomar cuidado na manipulação da solução de cisplatina. Podem ocorrer reações cutâneas associadas à exposição acidental à cisplatina. Recomenda-se o uso de luvas. Se a solução de cisplatina entrar em contato com a pele ou mucosa, lavar bem a região imediatamente com água e sabão.

·· Devem ser considerados os procedimentos quanto à manipulação e descarte das drogas anticâncer. Já foram publicados vários guias sobre este assunto (referências 1 a 7); porém, não há um acordo geral de que todos os procedimentos recomendados nestes guias sejam necessários ou apropriados.

Estabilidade da solução

A cisplatina solução injetável apresenta-se em frasco multidose, estéril e sem conservantes. A cisplatina restante no frasco âmbar após a aplicação inicial é estável por 28 dias, quando o frasco for protegido da luz, ou por 7 dias se armazenado sob luz ambiente fluorescente.

Os frascos fechados de cisplatina solução injetável devem ser armazenados à temperatura ambiente e protegidos da luz.

A solução de cisplatina diluída nos seguintes líquidos de infusão, é estável por 6 a 8 horas à temperatura ambiente.

·· glicose 5% e cloreto de sódio 0,9%.

· glicose 5% e cloreto de sódio 0,45%.

· glicose 5% e cloreto de sódio 0,9% com manitol.

· glicose 5% e cloreto de sódio 0,45% com manitol.

· glicose 5% e cloreto de sódio 0,3% com manitol.

Caso a infusão diluída não seja usada dentro de 6 horas, proteger da luz.

Referências

1. Recommendations for the Safe Handling of Parenteral Antineoplastic Drugs. NIH Publication Nº 83-2621. For sale by the Superintendent of Documents, US Government Printing Office, Washington, DC 20402.

2. AMA Council Report. Guidelines for Handling Parenteral Antineoplastics. JAMA 1985; 253(11):1590-1592.

3. National Study Commission on Cytotoxic Agents. Available from Louis P. Jeffrey, ScD, Chairman, National Study Commission on Cytotoxic Exposure. Massachusetts College of Pharmacy and Allied Health Sciences, 179 Longwood Avenue, Boston, Massachusetts 02115.

4. Clinical Oncological Society of Australia. Guidelines and Recommendations for Safe Handling of Antineoplastic Agents. Med J Australia 1983; 1:426-428.

5. Jones R.B., et al: Safe Handling of Chemotherapeutic Agents: A Report from the Mount Sinai Medical Center. CA-A Cancer Journal for Clinicians 1983; (Sept/Oct) 258-263.

6. American Society of Hospital Pharmacists Technical Assistance Bulletin on Handling Cytotoxic and Hazardous Drugs. Am J Hosp Pharm 1990; 47:1033-1049.

7. OSHA Work-Practice Guidelines for Personnel Dealing with Cytotoxic (Antineoplastic) Drugs. Am J Hosp Pharm 1986; 43:1193-1204.

SUPERDOSAGEM

Superdosagem aguda com cisplatina pode resultar em dano renal, hepático, surdez, toxicidade ocular (incluindo deslocamento de retina), mielodepressão significativa, náuseas e vômitos intratáveis e/ou neurite. Além disso pode ocorrer morte após a superdosagem.

Nenhum antídoto comprovado foi estabelecido para a superdosagem. A hemodiálise mesmo quando iniciada, quatro horas após a superdosagem, parece ter efeito mínimo na remoção da platina do organismo devido ao rápido e alto grau de ligação proteica da cisplatina. A conduta na superdosagem deve incluir medidas gerais de suporte para manter o paciente durante o período de toxicidade que possa ocorrer.

PACIENTES IDOSOS

O produto poderá ser usado por pacientes com idade acima de 65 anos, desde que observadas as precauções referentes ao produto


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