UNIÃO CARBAMAZEPINA - Bula

UNIÃO CARBAMAZEPINA



UNIÃO CARBAMAZEPINA

UNIÃO CARBAMAZEPINA

Carbamazepina

Comprimido / Suspensão Oral

FORMAS FARMACÊUTICAS E APRESENTAÇÕES

Comprimido: caixa com 200 comprimidos.

Suspensão oral 2%: frasco contendo 100 mililitros

USO PEDIÁTRICO E ADULTO

COMPOSIÇÃO:

Comprimido

Cada comprimido de 200 miligramas contém:

Carbamazepina 200 miligramas Excipientes: estearato de magnésio, lactose, celulose microcristalina, croscarmelose sódica, polividona, amido

Suspensão Oral

Cada 5 ml da suspensão oral 2% contém :

Carbamazepina 100 miligramas Veículo: sacarina, ciclamato sódico, dimeticona, aroma de caramelo, sorbitol, metilparabeno, propilparabeno, ácido cítrico, sorbato de potássio, água purificada, carmelose, glicerol, óleo de rícino, celulose microcristalina.

INFORMAÇÕES AO PACIENTE

AÇÃO ESPERADA DO MEDICAMENTO:

Carbamazepina é um medicamento utilizado como anticonvulsivante.

CUIDADOS DE CONSERVAÇÃO:

Conserve o produto na embalagem original. Os comprimidos devem ser protegidos do calor excessivo (temperatura acima de 40 0C), da luz e da umidade e a suspensão oral deve ser mantida em temperatura ambiente (15 a 30 0C).

PRAZO DE VALIDADE:

24 meses a partir da data de fabricação (vide cartucho). Não use medicamentos com o prazo de validade vencido.

GRAVIDEZ E LACTAÇÃO:

Informe seu médico a ocorrência de gravidez na vigência do tratamento ou após o seu término. Informe ao médico se está amamentando.

CUIDADOS DE ADMINISTRAÇÃO:

Os comprimidos devem ser ingeridos sem mastigar, durante ou após as refeições, com um pouco de líquido. A suspensão deve ser agitada antes do uso.

É importante tomar o medicamento regularmente. Se o paciente esquecer de tomar uma dose, deve tomá-la logo que possível e então voltar ao esquema habitual. Se já for hora de tomar a próxima dose, tome-a normalmente, sem dobrar o número de comprimidos ou de medidas de suspensão. Se esquecer de tomar mais de uma dose, consulte seu médico. Siga a orientação do seu médico, respeitando sempre os horários, as doses e a duração do tratamento.

Não interrompa o tratamento sem o conhecimento do seu médico.

REAÇÕES ADVERSAS:

Informe seu médico o aparecimento de reações desagradáveis, como: tontura, dor de cabeça, falta de coordenação dos movimentos, sonolência, cansaço, visão dupla, náusea, vômito, reações alérgicas na pele, secura da boca, inchaço e aumento de peso.

TODO MEDICAMENTO DEVE SER MANTIDO FORA DO ALCANCE DAS CRIANÇAS.

INGESTÃO CONCOMITANTE COM OUTRAS SUBSTÂNCIAS:

A Carbamazepina deve ser ingerida junto com alimentos para diminuir a irritação gastrointestinal. O uso de bebidas alcoólicas deve ser evitado durante o tratamento com Carbamazepina.

CONTRAINDICAÇÕES E PRECAUÇÕES:

O produto não pode ser usado por pacientes com hipersensibilidade aos componentes da fórmula ou por pacientes com bloqueio átrio-ventricular, história anterior de depressão da medula óssea, Mal de Parkinson, úlcera ou disfunção renal.

Informe seu médico sobre qualquer medicamento que esteja usando, antes do início, ou durante o tratamento.

Durante o tratamento o paciente não deve dirigir veículos ou operar máquinas, pois sua habilidade e atenção podem estar prejudicadas.

NÃO TOME REMÉDIO SEM O CONHECIMENTO DO SEU MÉDICO, PODE SER PERIGOSO PARA SUA SAÚDE.

INFORMAÇÕES TÉCNICAS

CARACTERÍSTICAS:

Como agente antiepiléptico, o espectro de atividade da Carbamazepina inclui crises parciais (simples e complexas), com ou sem generalização secundária, crises tônico-clônicas generalizadas (grande mal), assim como combinações desses tipos de epilepsia. Em estudos clínicos observou-se que a Carbamazepina, administrada em monoterapia a paciente com epilepsia, em particular crianças e adolescentes, exerce uma ação psicotrópica, incluindo-se efeito positivo sobre os sintomas de ansiedade e depressão, assim como diminuição na irritabilidade e agressividade. Com relação às funções cognitivas e psicomotoras, em alguns estudos foram observados efeitos duvidosos ou negativos, dependendo também das dosagens administradas. Em outros estudos foram observados efeitos benéficos sobre a atenção, memória e funções cognitivas.

Como agente neurotrópico, a Carbamazepina é clinicamente eficaz em vários distúrbios neurológicos (por exemplo, prevenção de crises paroxísticas de dor em neuralgia idiopática do trigêmeo). Na síndrome de abstinência alcoólica a Carbamazepina eleva o limiar convulsivo e melhora os sintomas de abstinência, como hiperexcitabilidade, tremor e deficiência na deambulação; reduz o volume urinário e alivia a sensação de sede no diabetes insipidus centralis.

Como agente psicotrópico, a Carbamazepina provou ter eficácia clínica nos distúrbios afetivos como, por exemplo, no tratamento da mania, e também na prevenção do distúrbio maníaco-depressivo (bipolar), quando administrado como monoterapia ou em associação com neurolépticos, antidepressivos ou lítio.

O mecanismo de ação da Carbamazepina só foi parcialmente elucidado. A Carbamazepina estabiliza a membrana do nervo hiperexcitado, inibe a descarga neuronal repetitiva e reduz a propagação sináptica dos impulsos excitatórios. Considera-se que o bloqueio dos canais de sódio sensíveis à diferença de potencial, pode ser um ou mesmo o principal mecanismo de ação primário da Carbamazepina. Os efeitos acima mencionados, assim como, a ação depressiva da Carbamazepina no "turnover" das catecolaminas e de liberação de glutamato, poderia possivelmente resultar desse efeito primário. Enquanto a redução da liberação de glutamato e a estabilização das membranas neuronais podem ser consideradas responsáveis principalmente pelos efeitos antiepilépticos, o efeito depressivo no "turnover" da dopamina e noradrenalina poderia ser responsável pelas propriedades antimaníacas da Carbamazepina.

A Carbamazepina ministrada na forma de comprimidos é absorvida quase completamente, porém de maneira relativamente lenta. Os comprimidos convencionais apresentam um pico plasmático médio da substância inalterado em 12 horas após uma dose oral única. Com a suspensão, as concentrações médias dos picos plasmáticos são alcançadas em 2 horas. Em relação à quantidade de substância ativa absorvida, não há diferenças clinicamente relevantes entre as formas farmacêuticas orais. Após uma dose única por via oral de 400 miligramas (2 comprimidos de 200mg) de Carbamazepina, o pico médio de concentração do fármaco inalterado no plasma é de aproximadamente 4,5 mcg/ml.

A ingestão de alimentos não tem influência significativa na taxa e na extensão da absorção, em relação à forma farmacêutica da Carbamazepina. As concentrações plasmáticas de "steady state" da Carbamazepina são atingidas em cerca de uma a duas semanas, dependendo da auto-indução individual pela Carbamazepina e pela heteroindução por outros fármacos indutores enzimáticos, bem como do pré-tratamento, da posologia e da duração do tratamento.

A Carbamazepina está ligada às proteínas séricas em 70 a 80%. A concentração da substância inalterada no líquido cerebroespinhal e na saliva reflete a parte da ligação não-protéica no plasma.

As concentrações encontradas no leite materno foram equivalentes a 25-60% dos níveis plasmáticos correspondentes. A Carbamazepina atravessa a barreira placentária. Assumindo a completa absorção da Carbamazepina, o volume aparente de distribuição varia de 0,8 a 1,9 L/kg.

A meia-vida média de eliminação da Carbamazepina inalterada é de aproximadamente 36 horas após uma dose oral única, sendo que, após a administração oral repetida, a média é de 16 a 24 horas (sistema de auto-indução da monoxigenase hepática), dependendo da duração do tratamento. Em pacientes que recebem tratamento concomitante com outros fármacos indutores de enzimas hepáticas (por exemplo, fenitoína, fenobarbital), a meia-vida média encontrada é de 9 a 10 horas. A meia-vida média de eliminação do metabólito 10,11-epóxido no plasma é de cerca de 6 horas após dose única oral do próprio epóxido.

Após a administração de uma dose oral única de 400 miligramas (2 comprimidos de 200mg) de Carbamazepina, 72% são excretados na urina e 28% nas fezes. Na urina, cerca de 2% da dose são recuperados como substância inalterada e cerca de 1% como metabólito 10,11-epóxido, farmacologicamente ativo. A Carbamazepina é metabolizada no fígado, onde a biotransformação via epóxido é a mais importante, tendo o derivado 10,11-trans-diol e seu glicuronido como principais metabólitos. O 9-hidroximetil-10-carbamoil acridan é um metabólito menor relacionado a essa via. Após uma dose oral única de Carbamazepina, cerca de 30% aparecem na urina como produto final da via epóxido. Outra via de transformação importante para a Carbamazepina leva a vários compostos monohidroxilados, bem como ao N-glicuronido da Carbamazepina.

As concentrações plasmáticas de "steady-state" da Carbamazepina, consideradas como intervalo terapêutico, variam consideravelmente de indivíduo para indivíduo; para a maioria dos pacientes, relatou-se um intervalo entre 4 e 12 mcg/ml, correspondente a 17 e 50 mcg/ml. As concentrações de Carbamazepina-10,11-epóxido, metabólito farmacologicamente ativo, foram de cerca de 30% dos níveis da Carbamazepina.

Em função de maior eliminação da Carbamazepina, as crianças podem requerer doses mais altas desse fármaco (em mg/kg) do que os adultos. Não há indicação de alteração da farmacocinética da Carbamazepina em pacientes idosos, quando comparados com adultos jovens.

Não há dados disponíveis sobre a farmacocinética da Carbamazepina em pacientes com distúrbios das funções hepática ou renal.

INDICAÇÕES:

Crises parciais de epilepsia com sintomatologia complexa ou com sintomatologia simples. Epilepsia generalizada primária ou crises generalizadas secundariamente com um componente tônico-clônico (grande mal) associada ou não a distúrbios psíquicos. Nesses casos, a Carbamazepina é adequada para monoterapia e terapia combinada. Geralmente, não é eficaz em crises de ausência (pequeno mal). Mania e tratamento profilático em distúrbios maníaco-depressivos (bipolares). Síndrome de abstinência alcoólica. Neuralgia idiopática do trigêmeo e neuralgia trigeminal em decorrência de esclerose múltipla. Neuralgia glossofaríngea idiopática. Neuropatia diabética dolorosa. Diabetes ínsípidus centralis. Poliúria e polidipsia de origem neuro-hormonal.

CONTRAINDICAÇÕES:

Hipersensibilidade conhecida aos componentes da fórmula ou a fármacos estruturalmente relacionados à Carbamazepina (por exemplo, antidepressivos tricíclicos). Pacientes com bloqueio atrio-ventricular, história anterior de depressão da medula óssea ou história de porfiria aguda intermitente. Em nível teórico (relação estrutural a antidepressivos tricíclicos), o uso de Carbamazepina não é recomendado em associação com inibidores da monoaminoxidase (IMAO); antes de se administrar Carbamazepina, o(s) IMAO deve(m) ser descontinuado(s) por, no mínimo, 2 semanas ou mais, se a situação clínica o permitir.

PRECAUÇÕES E ADVERTÊNCIAS:

Gerais: Agranulocitose e anemia aplástica foram associadas ao uso de Carbamazepina, entretanto, em função da incidência muito baixa dessas doenças, estimativas de risco significativas para Carbamazepina são difíceis de serem obtidas. O risco total em populações não tratadas em geral foi estimado em 4,7 pacientes por milhão por ano para agranulocitose e 2 pacientes por milhão por ano para anemia aplástica. A diminuição transitória ou persistente de leucócitos ou plaquetas ocorre de ocasional a frequentemente, em associação com a Carbamazepina; contudo, na maioria dos casos esses efeitos mostram-se transitórios e são indícios improváveis de um princípio de anemia aplástica ou de agranulocitose. Todavia, deverá ser obtido o valor basal da contagem de células sanguíneas no pré-tratamento, incluindo-se plaquetas e possivelmente reticulócitos e ferro sérico. Apesar do valor de monitorização hematológica ser duvidoso, sugere-se que a periodicidade dos testes sejam feitos semanalmente no 1º mês, mensalmente nos 5 meses seguintes e, depois, 2 a 4 vezes ao ano. Se durante o tratamento forem observadas reduções ou baixas definitivas na contagem de plaquetas ou de leucócitos, o quadro clínico e a contagem completa das células sanguíneas devem ser rigorosamente monitorizados. A Carbamazepina deverá ser descontinuada, se ocorrer alguma evidência significativa de depressão medular. Se surgirem sinais e sintomas sugestivos de reações graves da pele, como por exemplo, síndrome de Stevens-Johnson e síndrome de Lye11, a Carbamazepina deverá ser retirada imediatamente.

A Carbamazepina deverá ser administrada somente sob supervisão médica, e utilizada com cautela em pacientes com crises mistas que incluam crises de ausência atípica, pois a Carbamazepina nesse caso foi associada a um aumento de frequência de convulsões. Em casos de exacerbação das crises, a Carbamazepina deve ser descontinuada. Os pacientes devem estar cientes dos sinais e sintomas tóxicos precoces de um problema hematológico potencial, assim como dos sintomas de reações dermatológicas ou hepáticas. Se ocorrerem reações, tais como febre, dor de garganta, erupção, úlceras na boca, equimose, púrpura petequial ou hemorrágica, o paciente deve consultar seu médico imediatamente. A Carbamazepina deve ser prescrita somente após avaliação crítica do risco-benefício e sob monitorização rigorosa para pacientes com história de distúrbios cardíaco, hepático ou renal, reações adversas hematológicas a outros fármacos ou períodos interrompidos de terapia com Carbamazepina. Avaliações periódicas e basais da função hepática, particularmente em pacientes com história de doença hepática e em idosos, devem ser realizadas durante o tratamento com Carbamazepina. O medicamento deve ser retirado imediatamente nos casos de disfunção hepática agravada ou doença ativa do fígado. Recomenda-se exame de urina completo, periódico e basal, e determinação de valores de BUN (nitrogênio uréico sanguíneo). Reações leves de pele, como por exemplo, exantema maculopapular ou macular isolado, são na maioria das vezes transitórias, não-perigosas e geralmente desaparecem dentro de poucos dias ou semanas, durante o tratamento ou após uma diminuição da posologia. Mas, o paciente deve ser mantido sob cuidadosa supervisão. A Carbamazepina mostrou uma leve atividade anticolinérgica, portanto, pacientes com aumento da pressão intra-ocular devem ser rigorosamente observados durante a terapia.

Deve-se considerar a possibilidade de ativação de uma psicose latente e, em pacientes idosos, de confusão ou agitação. Foram relatados casos isolados de distúrbio na fertilidade masculina e/ou espermatogênese anormal; porém a relação causal não foi estabelecida.

Foi relatado sangramento de escape em mulheres sob uso de anticoncepcionais orais. A ação esperada dos anticoncepcionais orais pode ser adversamente afetada pela Carbamazepina, comprometendo a confiabilidade do método.

Apesar da correlação entre a posologia e os níveis plasmáticos da Carbamazepina e entre os níveis plasmáticos e a eficácia clínica ou tolerabilidade ser muito tênue, a monitorização dos níveis plasmáticos pode ser útil nas seguintes condições: aumento significativo da frequência de crises/verificação da aderência do paciente; durante a gravidez; no tratamento de crianças ou de adolescentes; na suspeita de distúrbio de absorção; na suspeita de toxicidade, quando mais de um medicamento estiver sendo utilizado. Se o tratamento com Carbamazepina tiver que ser interrompido abruptamente, a substituição por uma nova substância antiepiléptica deverá ser feita sob a proteção de um medicamento adequado (por exemplo, diazepam EV ou retal ou fenitoína EV).

Gravidez: mulheres grávidas com epilepsia devem ser tratadas com cuidado especial. Para mulheres em idade fértil, a Carbamazepina deve, sempre que possível, ser prescrita em monoterapia, pois a incidência de anormalidades congênitas em filhos de mulheres tratadas com associações de fármacos antiepilépticos (por exemplo, ácido valpróico mais Carbamazepina, mais fenobarbitona e/ou fenitoína) é maior do que naqueles cujas mães receberam fármacos isoladamente em monoterapia. Deve-se administrar doses mínimas eficazes e recomenda-se a monitorização dos níveis plasmáticos. Se ocorrer gravidez durante o tratamento com Carbamazepina, ou se a necessidade de se iniciar o tratamento com Carbamazepina aparecer durante a gravidez, o benefício potencial do medicamento deverá ser cuidadosamente avaliado contra os possíveis riscos, particularmente nos primeiros três meses de gravidez. É sabido que filhos de mães epilépticas são mais propensos a distúrbios de desenvolvimento, incluindo-se malformações. Foi relatada a possibilidade da Carbamazepina, como todos os principais fármacos antiepilépticos, aumentar esse risco, embora faltem evidências conclusivas a partir de estudos controlados com Carbamazepina em monoterapia. Mas, existem raros relatos de distúrbios do desenvolvimento e malformações, incluindo spina bífida, associadas ao uso de Carbamazepina. As pacientes devem ser informadas sobre a possibilidade de um aumento de risco de malformações e deve ser feito um "screening" pré-natal. A deficiência de ácido fólico geralmente ocorre durante a gravidez e os fármacos antiepiléticos agravam essa deficiência que pode contribuir para um aumento de incidência de anomalias congênitas nos filhos de mulheres epilépticas em tratamento. Logo, tem-se recomendado a suplementação de ácido fólico antes e durante a gravidez. Também recomenda-se a administração de vitamina K1 à mãe durante as últimas semanas de gravidez, assim como ao recém-nascido, para a prevenção de distúrbios hemorrágicos.

Amamentação: a Carbamazepina passa para o leite materno (cerca de 25% a 60% da concentração plasmática). O benefício da amamentação deverá ser avaliado contra a remota possibilidade de ocorrem efeitos adversos no lactante. Mães em terapia com Carbamazepina podem amamentar, mas a criança deve ser observada em relação a possíveis reações adversas (por exemplo, sonolência excessiva). Existe um relato de reação grave de hipersensibilidade cutânea lactente.

Pediatria: a evidência substancial da efetividade do uso da Carbamazepina em crianças com epilepsia, é derivada de uma investigação da performace em adultos. Vários estudos in vitro foram feitos, e concluiu-se que o mecanismo de ação da Carbamazepina no tratamento é idêntico em adultos e crianças. A segurança do uso da Carbamazepina em crianças foi estudada em crianças com mais de 6 meses de idade.

INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS:

Devido à indução do sistema enzimático monoxigenase hepático, a Carbamazepina pode diminuir o nível plasmático e diminuir ou abolir a atividade de certos fármacos metabolizados por esse sistema. A posologia dos seguintes fármacos poderá sofrer ajuste conforme a exigência clínica: clobazam, clonazepam, etosuximida, primidona, ácido valpróico, alprazolam, corticosteróides (por exemplo, prednisolona e dexametasona), ciclosporina, digoxina, doxiciclina, felodipina, haloperidol, imipramina, metadona, anticoncepcionais orais (métodos anticoncepcionais alternativos devem ser considerados), teofilina e anticoagulantes orais (varfarina, femprocumona e dicumarol). Níveis plasmáticos de fenitoína foram aumentados e reduzidos pela Carbamazepina e níveis plasmáticos de mefenitoína foram aumentados em casos raros. As seguintes substâncias aumentaram os níveis plasmáticos da Carbamazepina: eritromicina, troleandomicina, possivelmente josamicina, isoniazida, verapamil, diltiazem, dextropropoxifeno, viloxazina, fluoxetina, possivelmente cimetidina, acetazolamida, dartazol, possivelmente desipramina e nicotinamida (em adultos, somente em dose elevada). Uma vez que níveis plasmáticos elevados de Carbamazepina podem resultar em reações adversas (por exemplo, vertigem, sonolência, ataxia e diplopia), a posologia de Carbamazepina deverá ser ajustada adequadamente e/ou os níveis plasmáticos monitorizados. Foi observado que o uso concomitante de Carbamazepina e isoniazida aumenta a hepatotoxicidade induzida pela isoniazida. O uso combinado de Carbamazepina e lítio ou metoclopramida de um lado e Carbamazepina e neurolépticos (haloperidol, tioridazina) de outro, pode levar a um aumento de reações adversas neurológicas (com a combinação posterior mesmo em presença de "níveis plasmáticos terapêuticos"). Os níveis plasmáticos da Carbamazepina, podem ser reduzidos por fenobarbitona, fenitoína, primidona, progabida ou teofilina e, apesar de os dados serem parcialmente contraditórios, possivelmente também por, clonazepam, ácido valpróico ou valpromida. Por outro lado, foi observado que o ácido valpróico, a valpromida e a primidona aumentam o nível plasmático do metabólito farmacologicamente ativo carbamazepina-10,11-epóxido. A dose de Carbamazepina pode, consequentemente, ter que ser ajustada. A administração concomitante da Carbamazepina e de alguns diuréticos (hidroclorotiazida, furosemida) pode levar à hiponatremia sintomática. A Carbamazepina pode antagonizar os efeitos de não-despolarização dos relaxantes musculares (por exemplo, pancurônio); sua posologia pode necessitar de aumento e os pacientes devem ser monitorizados rigorosamente para recuperação mais rápida que o esperado do bloqueio neuromuscular. Foi observado que a isotretinoína altera a biodisponibilidade e/ou o "clearance" da Carbamazepina e da carbamazepina-10, 11-epóxido, sendo que, ao serem administrados dois fármacos concomitantemente, os níveis plasmáticos da Carbamazepina devem ser monitorizados. A Carbamazepina, como outros fármacos psicoativos, pode reduzir a tolerância ao álcool; portanto é aconselhável que o paciente abstenha-se de álcool.

INTERFERÊNCIA EM EXAMES LABORATORIAIS:

Teste de gravidez: podem aparecer resultados falsamente negativos com o emprego de provas que determinam a gonadotrofina coriônica humana (HCG). Pode alterar os valores fisiológicos da concentração de nitrogênio uréico no sangue, concentrações de alanina aminotransferase sérica, fosfatase alcalina sérica, bilirrubina sérica e de aspartato aminotransferase sérica.

Pode aumentar as concentrações de glicose na urina e diminuir as concentrações séricas de cálcio.

As concentrações de T3 e T4 livre podem diminuir.

Achados laboratoriais: hiponatremia, possibilidade de acidose metabólica, possibilidade de hiperglicemia e aumento de creatinina fosfoquinase muscular.

REAÇÕES ADVERSAS/COLATERAIS:

Particularmente no início do tratamento com Carbamazepina, ou se a posologia inicial for elevada demais ou durante o tratamento de pacientes idosos, certos tipos de reações adversas ocorrem ocasionalmente ou frequentemente, como por exemplo, reações adversas no SNC (vertigem, cefaléia, ataxia, sonolência, fadiga e diplopia); distúrbios gastrointestinais (náusea e vômito), assim como reações alérgicas na pele. As reações adversas relacionadas à dose, geralmente diminuem dentro de poucos dias espontaneamente ou após redução transitória da posologia. A ocorrência de reações adversas no SNC pode ser uma manifestação de superdosagem relativa ou de flutuação significativa dos níveis plasmáticos. Em tais casos, é aconselhável monitorizar os níveis plasmáticos e, possivelmente, diminuir a dosagem diária e/ou dividí-la em 3 a 4 frações de dose.

Neurológica:

Frequentes: vertigem, ataxia, sonolência, fadiga. Ocasionais: cefaléia, diplopia, distúrbios de acomodação visual (por exemplo, visão borrada). Raras: movimentos involuntários anormais (por exemplo, tremor, asteríxis, discinesia orofacial, distúrbios coreoatetóticos, distonia, tiques), nistagmo. Casos isolados: distúrbios oculomotores, distúrbios da fala (por exemplo, disartria ou pronúncia desarticulada da fala), neurite periférica, parestesia, fraqueza muscular, sintomas paréticos.

Psiquiátricas:

Casos isolados: alucinações (visuais ou acústicas), depressão, perda de apetite, inquietação, comportamento agressivo, agitação, confusão e ativação de psicose preexistente.

Pele e anexos:

Ocasionais ou frequentes: reações alérgicas na pele, urticária que, em alguns casos, pode ser grave. Raras: dermatite exfoliativa e eritroderma, síndrome de Stevens-Johnson, síndrome semelhante ao lúpus eritematoso sistêmico (síndrome lúpus like). Casos isolados: necrólise epidérmica tóxica, fotossensibilidade, eritema multiforme e nodoso, alterações na pigmentação da pele, púrpura, prurido, acne, sudorese e perda de cabelo. Casos isolados: hirsutismo (sendo que a relação causal não é clara).

Sistema hematopoiético:

Ocasionais ou frequentes: leucopenia, eosinofilia ocasional e trombocitopenia. Raras: leucocitose e linfadenopatia. Casos isolados: agranulocitose, anemia aplástica, aplasia de eritrócito pura, anemia megaloblástica, porfiria aguda intermitente, reticulocitose, deficiência de ácido fólico e possibilidade de anemia hemolítica.

Reações hepáticas:

Frequentes: GAMA-GT elevada (causada por indução da enzima hepática), geralmente não relevante clinicamente. Ocasionais: fosfatase alcalina elevada e raramente transaminases. Raras: icterícia, hepatite colestática, parenquimatosa (hepatocelular), ou de tipo mista. Casos isolados: hepatite granulomatosa.

Trato gastrointestinal:

Ocasionais ou frequentes: náusea e vômito. Ocasional: secura da boca. Raras: diarréia ou constipação. Casos isolados: dor abdominal, glossite e estomatite.

Reações de hipersensibilidade:

Raras: distúrbio de hipersensibilidade retardada, em múltiplos órgãos, com febre, erupções de pele, vasculite, linfadenopatia, distúrbios semelhantes a linfoma, artralgia, leucopenia, eosinofilia, hepatoesplenomegalia e teste da função hepática anormal, ocorrendo em várias combinações. Outros orgãos também podem ser afetados (por exemplo, pulmões, rins, pâncreas e miocárdio). Casos isolados: meningite asséptica, com mioclonia e eosinofilia periférica. O tratamento deverá ser descontinuado quando tais reações de hipersensibilidade ocorrerem.

Sistema cardiovascular:

Raras: distúrbios de condução cardíaca. Casos isolados: bradicardia, arritmias, bloqueio AV com síncope, colapso, insuficiência cardíaca congestiva, hipertensão ou hipotensão, agravamento da doença coronariana, tromboflebite e tromboembolismo.

Sistema endócrino e metabolismo:

Ocasionais: edema, retenção de líquido, aumento de peso, hiponatremia e redução de osmolaridade do plasma causadas por um efeito semelhante ao do hormônio antidiurético (HAD), conduzindo, em casos isolados, à intoxicação hídrica acompanhada de letargia, vômito, cefaléia, confusão mental e anomalias neurológicas. Casos isolados: ginecomastia ou galactorréia; testes de função tireoideana anormais, ou seja, L-tiroxina diminuída (FT4, T4, T3) e TSH aumentado, geralmente sem manifestações clínicas; distúrbios do metabolismo ósseo (diminuição plasmática de cálcio e 25-OH colecalciferol), levando em casos isolados a osteomalacia; elevados níveis de colesterol, incluindo-se colesterol HDL e triglicérides.

Sistema urogenital:

Casos isolados: nefrite intersticial e insuficiência renal, assim como, sinais de disfunção renal, por exemplo, albuminúria, hematúria, oligúria e BUN (nitrogênio uréico sanguíneo)/azotemia elevada, frequência urinária alterada, retenção urinária e distúrbio impotência sexual.

Orgãos dos sentidos:

Casos isolados: distúrbio do paladar, opacificação do cristalino, conjuntivite, tinitus e hiperacusia.

Sistema musculoesquelético:

Casos isolados: artralgia, dor muscular ou cãibra.

Trato respiratório:

Casos isolados: hipersensibilidade pulmonar caracterizada por febre, dispnéia e pneumonia.

POSOLOGIA:

Os comprimidos ou a suspensão (que deve ser agitada antes do uso) podem ser ingeridos durante, após ou entre as refeições com um pouco de líquido. A suspensão (uma medida cheia contém 10 mililitros que equivalem a 200 miligramas e meia medida contém 5 ml equivalentes a 100 mg) é particularmente adequada a pacientes que têm dificuldade em deglutir comprimidos ou precisem, no início do tratamento, de ajuste cuidadoso da posologia. Para pacientes que estejam passando de Carbamazepina comprimidos para suspensão deve ser administrada a mesma quantidade em mg/dia, em doses menores e mais frequentes (por exemplo, suspensão, 3 vezes ao dia, em vez de comprimidos, 2 vezes ao dia).

Para pacientes idosos, a posologia de Carbamazepina deve ser ajustada com cuidado.

Epilepsia

Sempre que possível, a Carbamazepina deve ser prescrita em monoterapia. O tratamento deve ser iniciado com uma posologia diária baixa, sendo esta aumentada lentamente, até que se obtenha um efeito ótimo. Após obter-se o controle adequado das crises, a posologia pode ser reduzida gradualmente ao nível mínimo efetivo. A determinação dos níveis plasmáticos pode ajudar no estabelecimento da posologia ótima. Quando a Carbamazepina for adicionada a uma terapia anticonvulsivante já existente, a adição deve ser feita gradualmente, enquanto se mantém ou, se necessário, se adapta a posologia do(s) outro(s) anticonvulsivante(s).

Adulto

Formas orais: inicialmente, 100 a 200 mg, 1 a 2 vezes ao dia; aumentar lentamente a dose, geralmente até 400 mg, 2 a 3 vezes/ dia, até que se obtenha uma resposta ótima. Em alguns pacientes, a dose de 1.600 ou mesmo 2.000 mg/dia pode ser apropriada.

Criança

Administrar 10 a 20 mg/kg de peso corporal ao dia, isto é:

até 1 ano: de 100 a 200 miligramas por dia (5 a 10 mililitros ao dia, ou meia a 1 medida cheia)

de 1 a 5 anos: de 200 a 400 miligramas por dia (5 a 10 ml, 2 vezes ao dia, ou meia a 1 medida cheia, 2 vezes ao dia) de 6 a 10 anos: de 400 a 600 miligramas por dia (10 ml, 2 a 3 vezes ao dia, ou 1 medida cheia, 2 a 3 vezes ao dia) de 11 a 15 anos: de 600 a 1.000 miligramas por dia (10 a 15 ml, 3 vezes ao dia, ou 1 a uma e meia medida, 3 vezes ao dia) a serem administradas em doses fracionadas.

Para crianças de 4 anos ou menos é recomendada a dose inicial de 20 a 60 mg/dia, aumentada de 20 a 60 miligramas a cada dois dias. Para crianças acima de 4 anos, a terapia pode começar com 100 mg/dia, aumentada de 100 miligramas em intervalos semanais.

Neuralgia do trigêmeo

A posologia inicial de 200 a 400 miligramas por dia, deve ser elevada lentamente até a obtenção de analgesia (em geral, 200 mg, 3 a 4 vezes ao dia). Reduzir então gradualmente a dosagem para o menor nível de manutenção possível. Em pacientes idosos, indica-se a dose inicial de 100 mg, duas vezes ao dia.

Síndrome de abstinência alcoólica

A dosagem média é de 200 mg, três vezes ao dia. Nos casos graves, essa dosagem pode ser elevada durante os primeiros dias (por exemplo, 400 mg, 3 vezes ao dia). No início do tratamento de manifestações de abstinência grave, a Carbamazepina deve ser administrada em combinação com fármacos sedativo-hipnóticos (por exemplo, clometiazol, clordiazepóxido). Após o alívio da fase aguda, Carbamazepina pode ser continuada em monoterapia.

Diabetes insipidus centralis

A dosagem média para adultos é de 200 mg, 2 a 3 vezes ao dia. Em crianças, a dosagem deve ser reduzida proporcionalmente à idade e ao peso corporal.

Neuropatia diabética dolorosa

A dosagem média é de 200 mg, 2 a 4 vezes ao dia.

Mania e tratamento profilático do distúrbio maniaco-depressivo (bipolar)

O intervalo de dose é de 400 a 1.600 miligramas ao dia, sendo que a posologia usual é de 400 a 600 miligramas ao dia, em 2 a 3 doses fracionadas. No tratamento da mania aguda, a posologia deve ser aumentada mais rapidamente, enquanto que para a profilaxia de distúrbios bipolares são recomendados pequenos aumentos de dose, a fim de se proporcionar tolerabilidade ótima.

SUPERDOSAGEM:

Os sinais e sintomas da superdosagem geralmente envolvem os sistemas nervoso central, cardiovascular e respiratório.

Sistema nervoso central: depressão do SNC: desorientação, sonolência, agitação, alucinação, coma, visão borrada, distúrbio da fala, disartria, nistagmo, ataxia, discinesia, hiperreflexia inicial, hiporreflexia tardia, convulsões, distúrbios psicomotores, mioclonia e hipotermia.

Sistema respiratório: depressão respiratória e edema pulmonar.

Sistema cardiovascular: taquicardia, hipotensão, às vezes hipertensão, distúrbio de condução com ampliação do complexo QRS; síncope em associação com parada cardíaca.

Sistema gastrointestinal: vômito, esvaziamento gástrico retardado e motilidade intestinal reduzida.

Função renal: retenção de urina, oligúria ou anúria: retenção de fluido, intoxicação hídrica causada pelo efeito semelhante ao HAD da Carbamazepina.

Não há antídoto específico. O tratamento deve ser feito considerando-se inicialmente a condição clínica do paciente: internação; medida do nível plasmático para confirmação da intoxicação por Carbamazepina e determinação do grau da superdosagem; esvaziamento gástrico e lavagem gástrica com administração de carvão ativado. Devem ser adotadas medidas de suporte em unidade de terapia intensiva, com monitorização cardíaca e correção cuidadosa do equilíbrio eletrolítico.

Recomendações especiais:

Hipotensão: administrar dopamina ou dobutamina EV.

Distúrbios de ritmo cardíaco: a serem controlados em bases individuais.

Convulsões: administrar um benzodiazepínico (por exemplo, diazepam) ou outro antiepiléptico, como, por exemplo, fenobarbital (cuidadosamente, por causa da depressão respiratória) ou paraldeído.

Hiponatremia (intoxicação hídrica): restrição de líquido e infusão EV de NaCI a 0,9% lenta e cuidadosa.

Essas medidas são úteis na prevenção de lesão cerebral. É recomendada hemoperfusão com carvão. Diurese forçada, hemodiálise e diálise peritoneal são consideradas ineficazes. A reincidência e o agravamento da sintomatologia nos 2º e 3º dias após a superdosagem devem ser antecipados em função da absorção retardada.

PACIENTES IDOSOS:

A posologia deve ser ajustada cuidadosamente. Deve-se considerar a possibilidade de confusão ou agitação. Devem ser realizadas avaliações periódicas e basais da função hepática durante o tratamento com Carbamazepina.

VENDA SOB PRESCRIÇÃO MÉDICA

Laboratório

União Quím. Farm. Nacional S.A.

Av. dos Bandeirantes, 5386 São Paulo/SP - CEP: 04071-900 Tel: (11 5)586-2000 Fax: (11 5)581-8338 Ver outros medicamentos deste laboratório Pesquisar o preço deste medicamento.

Aviso legal


Bulas
Principal